{"id":435,"date":"2018-03-13T17:08:31","date_gmt":"2018-03-13T17:08:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.liferelict.ect.uevora.pt\/?page_id=435"},"modified":"2023-11-08T00:36:01","modified_gmt":"2023-11-08T00:36:01","slug":"azereirais","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/www.liferelict.ect.uevora.pt\/index.php\/azereirais\/","title":{"rendered":"Azereirais"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<h3><span style=\"color: #808000;\"><strong>Os bosques de azereiro (azereirais)<\/strong><\/span><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No final do Terci\u00e1rio (5 \u2013 3 Ma) o clima do Sul da Europa era mais quente e h\u00famido do que na atualidade e sem esta\u00e7\u00e3o seca pronunciada. A floresta dominante era a <em>Laurissilva<\/em>, composta por esp\u00e9cies de \u00e1rvores lenhosas perenif\u00f3lias, com folhas grandes, largas, lustrosas e cori\u00e1ceas. O arrefecimento gradual no final do Terci\u00e1rio, a diminui\u00e7\u00e3o acentuada da precipita\u00e7\u00e3o e as glacia\u00e7\u00f5es do Quatern\u00e1rio determinaram o decl\u00ednio e quase desaparecimento desta floresta. No entanto, vest\u00edgios daqueles bosques rel\u00edquias permaneceram confinados em enclaves resguardados do frio seco e lograram sobreviver at\u00e9 ao presente.<\/p>\n<p>O azereiro (<em>Prunus lusitanica<\/em> subsp. <em>lusitanica<\/em>) era uma das esp\u00e9cies de \u00e1rvores presentes aos bosques da Laurissilva e, na atualidade, possui uma distribui\u00e7\u00e3o dispersa e circunscrita \u00e0 Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, Norte de Marrocos e Piren\u00e9us franceses, considerada em Perigo de Extin\u00e7\u00e3o pelo <a href=\"http:\/\/www.liferelict.ect.uevora.pt\/index.php\/glossario\/\">IUCN<\/a>.<\/p>\n<div id=\"attachment_4845\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.liferelict.ect.uevora.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Life-Relict_mapa-distribuicao-dos-Azereiros.png\" rel=\"attachment wp-att-4845\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4845\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-4845 size-medium\" src=\"http:\/\/www.liferelict.ect.uevora.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Life-Relict_mapa-distribuicao-dos-Azereiros-300x274.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"274\" srcset=\"http:\/\/www.liferelict.ect.uevora.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Life-Relict_mapa-distribuicao-dos-Azereiros-300x274.png 300w, http:\/\/www.liferelict.ect.uevora.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Life-Relict_mapa-distribuicao-dos-Azereiros-768x701.png 768w, http:\/\/www.liferelict.ect.uevora.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Life-Relict_mapa-distribuicao-dos-Azereiros-1024x935.png 1024w, http:\/\/www.liferelict.ect.uevora.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Life-Relict_mapa-distribuicao-dos-Azereiros.png 1095w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4845\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Mapa da distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica do azereiro (<em>Prunus lusitanica<\/em> subsp.<em> lusitanica<\/em>) na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica<\/strong><\/p><\/div>\n<p>O territ\u00f3rio afeto aos vales das ribeiras de Alvoco e Loriga, afluentes do rio Alva, \u00e9, sem d\u00favida, uma das principais \u00e1reas de ref\u00fagio desta \u00e1rvore singular da flora portuguesa. N\u00e3o negligenciando a ic\u00f3nica Mata da Margara\u00e7a no concelho de Arganil. O azereiro encontra nas freguesias de Alvoco da Serra, Teixeira e na Uni\u00e3o de Freguesias de Vide e Cabe\u00e7a, no concelho de Seia, condi\u00e7\u00f5es peculiares para a sua persist\u00eancia e sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>O entalhe pronunciado dos vales e a influ\u00eancia oce\u00e2nica t\u00eam um efeito preponderante na modela\u00e7\u00e3o climat\u00e9rica, permitindo a exist\u00eancia de n\u00edveis de humidade ambiental elevados e contrastes t\u00e9rmicos pouco acentuados. Nestas condi\u00e7\u00f5es o azereiro encontra nos in\u00fameros barrancos, c\u00f3rregos e margens de cursos de \u00e1gua, as principais \u00e1reas de ocorr\u00eancia, mostrando uma prefer\u00eancia clara por locais com n\u00edvel fre\u00e1tico elevado, resguardados do frio mais intenso e expostos ao quadrante N\/NW.<\/p>\n<p>Nesta regi\u00e3o, os n\u00facleos de azereiro, distribuem-se ao longo de uma amplitude altitudinal ampla para a esp\u00e9cie ocupando ambientes clim\u00e1ticos distintos. Nos vales xistentos profundos e encaixados, localizados em \u00e1reas de maior influ\u00eancia mediterr\u00e2nica, partilha o habitat com o folhado, o amieiro, o freixo, o medronheiro, o azevinho, o loureiro e o lentisco. No passado fazia parte do elenco dos bosques mistos de carvalho-alvarinho e sobreiro desta regi\u00e3o. Sendo talvez dominante em nichos ecol\u00f3gicos particulares com n\u00edvel do len\u00e7ol fre\u00e1tico elevado e de car\u00e1cter rup\u00edcola.<\/p>\n<p>Num contexto menos comum, e revelador da plasticidade da esp\u00e9cie, surge associado ao carvalho-negral, ao teixo e ao vidoeiro a cerca de 1300 m de altitude, a cota mais elevada de que h\u00e1 registo na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, numa \u00e1rea de maior influ\u00eancia atl\u00e2ntica e substrato gran\u00edtico. Este cen\u00e1rio recorda e justifica que no passado recente a distribui\u00e7\u00e3o do azereiro e dos bosques de folhosas com arbustos de folha persistente ter\u00e1 sido bem mais alargada.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.liferelict.ect.uevora.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/prunus-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-large wp-image-16513\" src=\"http:\/\/www.liferelict.ect.uevora.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/prunus-1-1024x458.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"458\" srcset=\"http:\/\/www.liferelict.ect.uevora.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/prunus-1-1024x458.jpg 1024w, http:\/\/www.liferelict.ect.uevora.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/prunus-1-300x134.jpg 300w, http:\/\/www.liferelict.ect.uevora.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/prunus-1-768x344.jpg 768w, http:\/\/www.liferelict.ect.uevora.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/prunus-1-1536x688.jpg 1536w, http:\/\/www.liferelict.ect.uevora.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/prunus-1-1370x613.jpg 1370w, http:\/\/www.liferelict.ect.uevora.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/prunus-1.jpg 1798w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Os azereirais s\u00e3o forma\u00e7\u00f5es de car\u00e1cter florestal, em muito semelhantes aos bosques do tipo Laurissilva, presentes nos territ\u00f3rios insulares ib\u00e9ricos. Mais de metade de toda a popula\u00e7\u00e3o Ib\u00e9rica est\u00e1 concentrada em \u00e1reas de relevo acidentado nas serras do interior centro de Portugal em particular nas serranias do A\u00e7or, Estrela, Lous\u00e3 e Alvelos.<\/p>\n<p>Na paisagem destas serras marcada pela presen\u00e7a por \u00e1reas extensas de pinhal e acacial constituem um testemunho vivo de um tipo de coberto vegetal primitivo \u00fanico e reliquial e um dos \u00faltimos redutos para esta esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>As planta\u00e7\u00f5es massivas de pinheiro iniciadas nos finais do s\u00e9culo XIX e que se estenderam at\u00e9 \u00e0 d\u00e9cada de 80 do s\u00e9culo XX, o posterior avan\u00e7o do eucalipto reduziu e fez recuar os bosques de folhosas para \u00e1reas \u00ednfimas. Esta paisagem desde meados do s\u00e9culo XX, per\u00edodo que coincide com o despovoamento deste territ\u00f3rio, \u00e9 assolada regular e recorrentemente por inc\u00eandios de grandes propor\u00e7\u00f5es e cada vez mais destruidores. Neste contexto assiste-se, ainda \u00e0 entrada e prolifera\u00e7\u00e3o sem controlo \u00e0 vista de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas como a mimosa e mais recentemente da h\u00e1quea-picante.<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Europeia reconheceu a import\u00e2ncia de preservar os Azereirais e integrou-os num habitat de Import\u00e2ncia Comunit\u00e1ria, priorit\u00e1rio para a conserva\u00e7\u00e3o, na Diretiva de Habitats (92\/43\/CEE).<\/p>\n<p>Assim, o LIFE-Relict pretende inverter esta situa\u00e7\u00e3o. Controlar e se poss\u00edvel erradicar as esp\u00e9cies ex\u00f3ticas e invasoras, reduzir a densa carga arbustiva de giestas e urzes e gerir o pinhal de forma sustent\u00e1vel. Em suma controlar as amea\u00e7as, devolver os bosques nativos a este territ\u00f3rio atrav\u00e9s do restauro ambiental com \u00e1rvores aut\u00f3ctones como os carvalhos, as cerejeiras, o sobreiro e arbustos como o folhado, o medronheiro e o aderno. Recriar e naturalizar a paisagem que em tempos distantes cobriu as montanhas do Centro de Portugal aut\u00eanticas reservas de biodiversidade. Uma floresta adaptada \u00e0s condi\u00e7\u00f5es edafoclim\u00e1ticas locais e que v\u00e1 de encontro ao anseio e seguran\u00e7a destas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os bosques de azereiro (azereirais) &nbsp; No final do Terci\u00e1rio (5 \u2013 3 Ma) o clima do Sul da Europa era mais quente e h\u00famido do que na atualidade e sem esta\u00e7\u00e3o seca pronunciada. A floresta dominante era a Laurissilva, composta por esp\u00e9cies de \u00e1rvores lenhosas perenif\u00f3lias, com folhas grandes, largas, lustrosas e cori\u00e1ceas. 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