Ações de Conservação

Controlo de matos heliófilos em Monchique

Os matos heliófilos fazem parte, em termos dinâmicos da vegetação, das primeiras etapas de sucessão ecológica progressiva. Ou seja, normalmente são os matos que estão mais afastados da vegetação potencial de um determinado território¹. Devido ao seu carácter pioneiro, são os primeiros arbustos a instalarem-se após o abandono de áreas pastoreadas, solos erosionados ou mesmo em terras lavradas por incêndios (dependendo da disponibilidade de sementes). Por outro lado, os matos heliófilos são aqueles que apresentam maior risco de incêndio, devido à sua estrutura morfológica, muito lenhosa desde a base, folhas estreitas, compridas, cheias de pêlos e por vezes, ricas em óleos essenciais. Dentro deste tipo de arbustos salientam-se os pertencentes aos géneros Cistus, Erica, Lavandula, Ulex, Calluna e Cytisus.

 

Os núcleos de adelfeira existentes na Serra de Monchique encontram-se degradados, formando pequenas manchas entre um “mar” de matos heliófilos. Perante este cenário, o projecto LIFE RELICT avançou com o controlo destes arbustos tendo em vista a diminuição do risco de incêndio e a promoção da vegetação mais próxima do potencial maduro e característico do Habitat 5230 (92/43/CEE). Uma vegetação mais evoluída apresenta, neste caso, maior resistência ao fogo, constituindo um importante refúgio para um conjunto de espécies de elevado interesse patrimonial.

 

¹Na área de estudo, embora actualmente não hajam bosques bem formados, a vegetação potencial climatófila seria dominada, dependente da ecologia, por carvalhos, entre os quais se destacam, o carvalho-africano (Quercus canariensis), o carvalho-estremenho (Quercus estremadurensis), o sobreiro (Quercus suber), entre outros.

 


 

Recuperação da levada em Cabeça

As “levadas” são sistemas de condução de água, através de canais construídos pelo Homem, que permitem o deslocamento e o uso da água para múltiplos fins. Normalmente possuem um declive suave e ganharam uma particular relevância no desenvolvimento da Ilha da Madeira, onde se conduz a água das encostas norte, mais húmidas, para as encostas sul. Na aldeia de Cabeça (Serra da Estrela), foram construídas sobretudo para alimentação de moinhos de água e apoio à agricultura.

 

Contudo, com o êxodo rural as terras agrícolas de muitas aldeias do país foram sendo abandonadas e consequentemente, todos os sistemas de rega que lhes estavam associados. É o caso da levada de Cabeça que se encontra em mau estado de conservação. Esta levada é abastecida pelas águas da Ribeira de Loriga e, pelo seu carácter tradicional, não se encontra impermeabilizada, o que permite a constante infiltração de água no solo ao longo do seu percurso. Este incremento de água no solo favorece as comunidades de azereiro, aumentando desta forma o seu sucesso de instalação e resiliência a eventuais alterações climáticas.

Assim, o projecto LIFE RELICT recuperou, durante o final de 2018, a levada ao longo de 1,2 quilómetros. Os trabalhos de desobstrução do canal foram realizados manualmente, através da limpeza com pás e enxadas.

 

Esperamos com a recuperação desta levada a melhoria significativa do estado de conservação das comunidades de azereiro (Prunus lusitanica L.) em Cabeça.

 


 

As sementes estão a ganhar vida!

Começou a germinação das sementes de azereiro, adelfeira, carvalhos e muitas outras espécies!

Durante os meses de novembro e dezembro de 2018 recolheram-se milhares de sementes de várias plantas típicas das comunidades de azereiro (Prunus lusitanica L.) e adelfeira (Rhododendron ponticum subsp. baeticum (Boiss. & Reut.) Hand.-Mazz.). Estas sementes encontram-se no viveiro do CICYTEX para germinarem e crescerem o suficiente, a fim de serem plantadas nas áreas do projeto Life-Relict (Serra de Monchique, Açor e Estrela). As dificuldades iniciais, sobretudo associadas à germinação do azereiro, foram ultrapassadas e este ano temos uma grande quantidade de plântulas.

É fantástico como a germinação do azereiro está vigorosa. Prevêem-se boas notícias para a sua recuperação!

As sementes de adelfeira apresentam elevada percentagem de germinação, contudo, muitas das plântulas perdem-se por dificuldades adaptativas. Neste sentido, o substrato utilizado é recolhido diretamente no campo, reproduzindo assim mais fielmente as condições favoráveis ao crescimento das plântulas.

 

Também os carvalhos, de forma geral, já apresentam evidências de germinação. Carvalho-africano (Quercus canariensis Willd.), carvalho-alvarinho (Quercus robur subsp. broteroana O. Schwartz), carvalho-negral (Quercus pyrenaica Willd.), entre outros, estão já com vontade de se mostrar ao público. Em breve teremos belíssimos carvalhos para plantar!

 


 

Gestão das áreas ardidas de azereiral na Mata da Margaraça

No passado dia 19 de Abril, a equipa do projeto LIFE-RELICT deu início aos trabalhos de recuperação da área de azereiral mais afetada pelo fogo de Outubro de 2017, na Mata da Margaraça.
A equipa de Sapadores do Município de Seia cortou pela base todos os exemplares arbóreos que apresentavam a totalidade da copa ardida, procedendo-se depois à desramação dessas árvores e à deposição dos troncos e ramos nas encostas perpendicularmente à linha de maior declive, evitando o arrastamento de troncos por forma a não agravar a erosão.
O trabalho foi dificultado pela densidade do material vegetal ardido, mas também pelo declive pronunciado das encostas. Contudo, a larga experiência dos sapadores do Município de Seia foi crucial para o bom desenvolvimento dos trabalhos.
As intervenções foram feitas de forma cautelosa e conservadora para assegurar uma melhor recuperação da vegetação arbórea do local.